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30 de maio de 2009

Hideaway



Uma boa pedida pra quem está conhecendo a cidade ou cansado da mesmice carioca, e tiver um pouquinho de grana pra gastar é conhecer o Hideaway, que fica no bairro de Laranjeiras, zona sul.



A melhor tradução para Hideaway seria Refúgio. E é neste conceito que este lounge-pizzaria se baseia para criar para os clientes três ambientes distintos, localizado atrás de uma casa construída no século XIX. A pizzaria tem um grande teto de vidro onde você pode comer uma deliciosa pizza (a cozinha também é de vidro e você vê o preparo do seu prato) desfrutando da vista das árvores que cercam a casa. O lounge-bar que é uma delícia. E um novo espaço para terminar a noite com uma animada balada.



No dia que eu fui, pude apreciar 2 grupos de pagode e nos intervalos um DJ tocando o melhor do hip hop. Destaque para o segundo grupo a tocar que animou a galera com pagode dos anos 90. Para mim que não sou assim uma fã de pagode, foi bem legal relembrar Soweto, Katinguelê, Art Popular e Só Pra Contrariar. Muito maneiro, vale a pena ir!



Homem: R$90,00


Mulher: R$50,00

20 de abril de 2009

Feio? Olhe pro seu umbigo primeiro.


Havia uma garota, recém-casada no auge de seus 18 anos, de mala e cuia indo morar no Rio de Janeiro. A gaúcha loira, de olhos verdes estava animada com a nova vida, e principalmente com a espectativa de ter controle sobre sua nova família. Havia casado com um militar e desde já se preparava para o período caótico que é ficar longe de pessoas queridas e parentes.
Certa vez recebeu a visita de sua mãe, cerca de 6 meses depois de fixar residência na Zona Norte do Rio. Após sua mãe retornar ao Rio Grande do Sul, a tal garota dirigindo-se a uma mulher já mais velha, mineira e que morava no Rio desde sua adolescência, disse:
"-Minha mãe ficou impressionada de como aqui tem gente feia! As pessoas daqui são horríveis!"
A mineira espertamente respondeu:
"-Sua mãe ficou impressionada na quantidade de gente feia que tem aqui ou na quantidade de gente preta? Porque não vai me dizer que sua mãe acha bonito uma menina de 18 anos pesar 120kilos! Até cegueira de mãe tem limite!"
Sem querer entrar no mérito da questão, mas já entrando, por diversas vezes ouvi catarinenses, paranaenses e gaúchos dizerem que jamais, por motivo algum, deixariam suas terras pra viver em outros estados, tamanha a feiúra dos que não são sulistas. A visita dos estudantes a outras cidades por motivo de Conferências, Seminários, Bienais, levam essas pessoas à crença de que só é belo o padrão europeu tão fortemente encontrado nas ruas do Sul. É como se a simples presença do olho azul ou verde, do cabelo liso, garantisse beleza a alguém.
Parece clichê demais dizer que em todos os lugares, de norte a sul do Brasil, coexistem em um mesmo território pessoas feias e bonitas? Parece óbvio demais ressaltar que em todos os estados podem ser encontradas pessoas feias e bonitas? Pareceria repetitivo dizer que a beleza é muito mais um conceito interno adquirido do que atributos físicos relativos à pessoa de quem se trata? Com certeza, né?! Então não vou me ater a estes pontos, porque acredito que o meu leitor é inteligente o suficiente pra saber disso sem ninguém precisar explicar.
Convido a todos sulistas e não sulistas a darem uma passeadinha pela zona rural destes três estados, e assim quem sabe, rever seus tão incontestáveis conceitos de beleza.
Ah... a musa da foto é a Nicole Kidman. Linda.

9 de abril de 2009

Podem o chamar de Mister Niterói

Gustavo Black Alien é um conhecido cantor de rap nacional, caracterizado por suas letras que misturam expressões em inglês, peso social e uma grande mistura musical que nos remete ao ragga, ao reggae, ao drum'm'bass e ao miami bass. É autor do hit Como Eu te Quero, que concorreu ao VMB na categoria de melhor vídeo de rap. O Clip que contou com a participação do De Leve tocando violão, fez meu cansado coraçãozinho bater mais forte por reunir minhas duas paixonites adolescentes. Nada de Backstreet Boys ou N'Sync, sempre fui apaixonada pelo Black Alien e pelo De Leve, vai entender...
Antes de partir para a carreira solo, com o disco Babylon by Gus, que é uma referência ao cd do Bob Marley, o Babylon by Bus, o ragga man havia formado uma dupla com o MC Speed, empreendido uma parceria com o baixista do Paralamas do Sucesso Bi Ribeiro.
A atriz Fernanda Lima ao protagonizar uma novela, solicitou ao rapper que fizesse uma música para sua personagem, resultando em Coração do meu mundo, uma das faixas mais fofinhas do cantor.
Atualmente, o meu conterrâneo compôs uma faixa para o músico Frejat. Vamos ver o que sairá desta nova parceria.

Em tempo: Black Alien se apresenta HOJE no Kiwi Bar, localizado na Praia Brava - Itajaí. Os ingressos variam de R$20,00 a R$50,00.

6 de abril de 2009

Reformar ficou mais fácil!

Quem já passou pela labuta de reformar uma casa sabe da dor que é ficar apertado no orçamento quando a situação sai de controle. Para auxiliar o trabalhador brasileiro, a Caixa Econômica federal aumentou a linha de crédito que financia a compra de materiais de construção. Antes o valor era de no máximo R$7.000,00, para trabalhadores que tivessem rendimentos de até R$1.900,00. Com a ampliação o valor passa a ser de até R$20.000,00.
Bom, não? O prazo para pagar também aumentou. De 90 meses passou para 120 meses. Dependendo da renda da pessoa, a taxa de juros varia de 6% a 8,16% ao ano.
A operação é feita a partir do Construcard FGTS, que conterá o valor a ser financiado, e deve ser usado tão e somente em lojas de materiais de construção conveniadas ao banco.
E então, hora de trocar aquele piso quebrado da sua casa, não é?! Eu e meu noivo iremos reformar o banheiro e a cozinha da nossa casa!

4 de abril de 2009

Vampiros Sociais, você conhece algum.

Você certamente conhece algum vampiro social, se é que não teve o azar de namorar um. A coisa mais importante a saber é que você não pode mudar as pessoas. Olhe ele com distanciamento, não deixe o vampirismo atingir seu ego, fique calmo e não entre na vibração do vampiro!

Existem pessoas que são assumidamente, que perde a individualidade, que necessitam do outro para viver. Buscam no outro a substância que o alimenta. Os verdadeiros vampiros sociais nomeiam seu vampirismo de outra coisa, na maioria das vezes cândida. Porque os verdadeiros vampiros são mortais e sofrem. Não pelo que o resto do grupo sofre e sim pela falta da matéria objeto de sua própria sustentação sugada do outro.

O vampiro (que não se refere a si mesmo assim), quando é rejeitado tem uma atitude violenta, agressiva. Ainda que se afaste, o faz com ódio, virulência, desprezo. Fazem o possível para que a pessoa que o rejeitou seja agredida de alguma forma, principalmente por meio de palavras. São situações em que não entendemos porque, no afastamento o outro torna-se um inimigo. O que antes parecia um sentimento de amor e afeto, quando negado, transforma-se em ódio e o outro, em ambas as possibilidades, fica atônito perguntando-se o que fez de errado.

Você tem que saber como pensa um vampiro, entendê-lo e saber interagir de forma inteligente. O mais importante é a positividade, o bom humor e o equilíbrio físico e psíquico.

Aqui, alguns (dos muitos) tipos de vampiro:

Vampiro coitadinho: Sente-se sempre injustiçado de alguma forma. Seja por um emprego prometido que não saiu, seja pela namorada que o deixou e foi seguir sua vida. São pessoas que não raramente reclamam de traição. Se sentem injustiçados por terem sido traídos por amigos, por aliados políticos e pelas namoradas. Se eximam de qualquer culpa que tiveram nas relações que estabelecem.

Vampiro espertinho: Geralmente são convidados a festas, bares e a confraternizações por educação ou interesse. Pensam ser companhia indispensável e que isto por si só, garante o pagamento da conta do bar. O vampiro espertinho acredita que não precisa pagar a conta do bar, por ser o "mais querido da galera".

Vampiro malandro: Se recusa a conseguir um emprego no qual precise esforçar-se demais. Acreditam que seu nível de inteligência é altíssimo e que não merece um emprego comum. Não são raras as vezes que ficam babando atrás de superiores para conseguirem ser indicados para algum emprego. Alguns até trocam de partido político e se aliam ao que antes era inimigo para garantir a graninha extra no final do mês. Em muitos casos, não conseguem este tão famoso emprego prometido, e são obrigados a estarem sempre chorando dinheiro para a mãe ou a irmã.

Vampiro vadio: Mesmo sem emprego, preferem fazer uma viagem ao Nordeste do que pagar as contas atrasadas.

Vampiro reclamão: Estão sempre reclamando de algo. Se está calor, do calor. Se faz frio, do frio. Se um lugar é longe, reclamam da distância. Reclamam de ter que andar. Do corte do gato da TV à Cabo. O vampiro reclamão busca pessoas que estejam de bem com a vida para contagiar e exigem dos outros que as coisas estejam tudo ok.

Os vampiros sociais estão em toda parte. Cuide-se. Proteja sua alma. E principalmente, identifique os vampiros e carregue alho na bolsa!

10 de março de 2009

Portabilidade amorosa (e telefônica também)

A portabilidade numérica chegou ao Brasil em 2008, mas somente em março de 2009 é que todo o país pôde se beneficiar de manter o número e trocar de prestadora de serviços. Mas não é da portabilidade numérica que vou discorrer. É sobre a portabilidade amorosa.
A portabilidade amorosa chegou ao mundo desde que... desde sempre. Desde que terceiros passaram a habitar a terra depois de Adão e Eva. Funciona quando você deseja migrar de uma prestadora de serviços para outra. Quem migra mantém os mesmos vícios, as mesmas manias, as mesmas idéias, só muda a freguesia. E se a prestadora atual não estiver no perfil do usuário troca-se novamente.
Todo mundo pode mudar de prestadora de serviços. Buscar uma prestadora que atenda melhor ao seu estilo de vida, que ofereça uma relação custo benefício mais lucrativa, que ofereça bônus e agrados ao usuário. Você merece mesmo. Até aí tudo bem.
O problema vem (ou não) quando a prestadora atual, percebe que perderá mais um cliente para a concorrência.
Para cancelar o contrato é um sacrifício. Há os que consigam cancelar pelo telefone, como eu os invejo! É tão mais simples. Há os que prefiram cancelar o contrato pessoalmente, envolvendo muitas vezes agressões verbais, quando não físicas. Antes de cancelar de vez o contrato, o grito desesperado da prestadora de serviços. Promete bônus, agrados, assistência, e outras coisas que não fez quando era a prestadora reinante.
Há os que não resistem nesta dura batalha e perecem, aceitam a nova proposta da prestadora atual. Esquecem que relacionamentos obedecem a círculos viciosos e que estes planos adicionais prometidos sempre tem prazo de validade.
Mas há também os guerreiros, que firmes e fortes ultrapassam esta difícil etapa e partem rumo à nova operadora! A nova operadora, percebendo a possibilidade de o usuário manter-se na anterior, oferece mais serviços a um preço menor, o que acaba sendo mais valorizado pelo consumidor cansado de sofrer.
E o consumidor otimista reza para que esta não se torne parecida, ao menos de longe, com a anterior!

22 de janeiro de 2009

Comprar cd mesmo sendo disponível na net pra baixar?


A enquete no blog do cantor De Leve é clara e objetiva: Se o CD "De Love" saísse em CD vc compraria mesmo tendo na net de graça? Eu pensei mais que rapidamente, óbvio que ninguém compra se dá pra baixar de grátis, onde até o próprio MC disponibiliza. Mas não é que eu estava errada?! Até hoje 172 pessoas disseram que comprariam sim, 80 não comprariam e eu mais 71 pessoas responderam talvez.

Todo mundo precisa ganhar dinheiro, todo mundo sabe disso. Mas fiquei surpresa ao ver a possibilidade de rolar um cd pago do De Leve, que iniciou sua carreira musical no extinto Quinto Andar, disponibilizando na net à torto e à direito as faixas que ele e seus parceiros gravavam. Quem diria que o rap underground iria se tornar um produto custável e rendável?

Com tanta gente que compraria, talvez eu comprasse também. Mas confesso que só porque ele é muito gatinho mesmo, ele era minha paixonite de adolescente. Do bom humor à malandragem que caracteriza o carioca, o De Leve, para mim é um dos poucos caras que se destacam no rap nacional atraindo novos públicos, sem deixar de ser underground. Quer dizer, nem tanto.

Confira abaixo dois vídeos contendo músicas do De Leve que ganharam o circuito nacional.

O primeiro é da série Cidade dos Homens, episódio Tem que ser agora, aparece mais ou menos no 3:15 minutos. O nome da música é Eu Bolo.




O segundo é do filme Ódiquê, que foi lançado mas não entrou em cartaz no cinema. Tem grandes nomes de atores brasileiros, a música se chama Vai Vendo.

21 de janeiro de 2009

Faça o download do filme SETE VIDAS com Will Smith.

Sem mais delongas, assista a esse vídeo que eu estou muito ocupada com os preparativos para o Carnaval da minha cidade, aquela que todos conhecem como a MARAVILHOSA. Vai ser um tempo ótimo que eu não tenho a mais ou menos um ano e meio. Contatei alguns, mas ainda falta contatar mais pessoas para o nosso grande e intenso encontro de amigos ex alunos do CP2. Claro, como bons universitários fudidos que somos, a Bianca sugeriu que fôssemos pra praia que é de graça e nunca tá fechado. Se você é carioca sabe que quando se fala vou pra praia você está falando de Copacabana, se não você falaria vou para a praia do Flamengo, vou para a região dos lagos. A maioria do pessoal não se encontra a um ano, vai ser uma grande festa.

E chega de falar de mim, o filme Sete Vidas é tão lindo... Aqui tem um o torrent pra você baixar e a legenda também. Aproveita que a qualidade tá ótima mesmo não sendo dvdrip. APROVEITA E BAIXA LOGO. Assista com alguém que você goste muito... como eu fiz, hehe. Ai, ai.


OBS.: Pra baixar as legendas você precisa se cadastrar no site, é rápido e vale muito a pena.

10 de janeiro de 2009

Seda - A vida não pode esperar (Nem meu cabelo)


Entre mitos e verdade sobre os produtos da linha Seda, destaca-se a máxima que o Seda quebra o cabelo. Seu cabelo cai, pouco a pouco quebrando e você nem se dá conta. Põe a culpa na chapinha, põe a culpa no secador, põe a culpa no sol, põe a culpa no aquecimento global. Quando trabalhei em uma rede de drogarias do Rio de Janeiro, a linha Seda vendia como água no deserto. Era uma fixação pelo Seda Ceramidas, Keraforce, Hidraloe, AntiFrizz que eu gritava "PELAMORDEDEUS MINHA FILHA, COMPRE UM SHAMPOO SEM SAL! Eles agridem menos o cabelo!" Entrava por um ouvido e saía por outro. Eu continuei fazendo a minha parte, dizendo que gastassem um pouco mais em um shampoo sem sal e com matéria-prima que reestrutura a fibra capilar. Isso soava como a vendedora que queria ganhar comissão em cima de tal produto. Antes fosse. Segui o conselho que eu mesma dava para minhas clientes e 3 anos se passaram até que aconteceu.
Depois de um dia inteiro (e maravilhoso) na praia de Mariscal, mergulhando no mar feliz da vida, coisa rara de se ver, já que nunca quero me livrar da chapinha na praia e parecer um belo boneco espantalho passado na areia, cheguei em casa e fui tomar banho. Ao me deparar com a prateleira do box VAZIA, ouvi a fatídica música do filme Psicose no meu ouvido. Me desesperei ao ver que só ali estavam os produtos de cabelo da minha cunhada: Seda Ceramidas. Meu mundo desabou. Precisava lavar o cabelo urgentemente, ao passo que via um filme em minha cabeça com todos os momentos que lavei o cabelo com aqueles shampoos tão caros, tão... importados, de R$30,00 pra cima! Vi aquele frasco tão rosinha, olhando pra mim, e o meu cabelo como uma palha olhando para ele. Não tive saída, pedi licença para minha cunhada e despejei sobre minha mão. Há tempos eu não via um shampoo render tanto, e deixar o cabelo tão macio. O Seda mudou temporariamente a minha opinião. Como diz a campanha, a vida não pode esperar, muito menos o seu cabelo!

29 de dezembro de 2008

Ahora el coronel ya tiene a quien le escriba



Gabriel Garcia Marquez, meu escritor preferido, publicou em 1961 o livro El coronel no tiene quien le escriba. Fala sobre um oficial que lutou na guerra e passa a vida esperando uma carta que irá anunciar sua tão esperada pensão. Enquanto vive na pobreza e sua mulher sofre de uma doença respiratória, não deixa de esperar a famigerada carta, nem de ter esperanças. Talvez lá no fundinho ele tenha dúvidas sobre a chegada da carta, mas não deixa de apostar naquilo que seria a salvação da sua família. O livro é um ensaio sobre a esperança. Quem quiser me dar de presente, sinta-se livre. Na foto tirada na CPOR-SP, o General-de-Brigada João Severiano da Fonseca, patrono do serviço da saúde. Como uma boa filha de militar, não perdi a oportunidade de me jogar ao pescoço do general. Ah... esse Gabriel Garcia Marquez me faz fazer cada coisa... ai ai...

23 de dezembro de 2008

Primeira parada: São Paulo - SP

Estive ausente do fruta porque fui à São Paulo para o prestigiar a união do meu irmão Rafael e da sua noiva Vivi. Nunca tinha pisado meus pés 37 em SP na minha vida e, chegando à cidade a primeira coisa que vejo é um cara engravatado desabotoando a camisa com uma mão e segurando uma lata de skol na outra. Rapidamente ele tomou o primeiro gole e ficou a esperar o ônibus. Mais à frente, vejo uma mulher com a barriga caindo por cima da calça enquanto devorava um pacotão de cheetos. E mais um pouquinho adiante um casal de namorados trucidando um pastel de queijo em uma pracinha que vendia de soutiens a crepes e churros.

Pensei:
GENTE NORMAL. Que gostoso é ver as pessoas transitarem sem muito que se importar com os outros. Eram 17h ainda e os bares de Santa Cecília estavam lotaaaaaaados. Eram aniversários, comemorações de final de ano, amigo oculto ou simplesmente aquele encontro após o trabalho. O paulista vive para trabalhar e não é a toa que ás 17h ele vá merecidamente tomar aquela cervejinha para relaxar.

Mais tarde fui jantar e um rapaz da minha idade mais ou menos, bem vestido, cabelo arrumado, todo perfumadinho se aproximou, e antes que meu ego pudesse falar mais alto, ofereceu um dos sabonetes em forma de cachorro que estava vendendo, de bar em bar, de restaurante a restaurante às 20h da noite. Inevitável foi a comparação entre o itajaiense que morre de vergonha e se recusa a trabalhar no pescado, a maior gama de emprego da cidade e aquele jovem que estava ali a vender sabonetes como ambulante.

Fiquei emocionada e não deixei de pensar no que poderia ser a vida dele, ele poderia estar vendendo na noite para comprar remédio para a mãe doente, para pagar a faculdade, ou simplesmente para comprar suas roupas de marca e seu perfume importado. Honestamente, isto pouco importa. Aquele garoto, para mim, é um exemplo de superação.

Ah, e os motoboys? Não pude não ficar alarmada com aqueles motoqueiros voando e quase arrancando o retrovisor junto à eles! Vão passando e buzinando como quem diz:
saia da frente porque eu estou passando!. Incrível como tudo aquilo que passa na TV sobre barbáries e mortes no trânsito é a mais pura verdade.

Me impressionou também, saber que o Maluf mandou construir prédios na frente das favelas para tapar a
imagem feia para a cidade que elas representam. E assim fica, prédios lindos na frente, a realidade nua e crua por trás. E como parede de um dos barracos de madeira, um cartaz de divulgação do ex prefeito.
A cidade é pura correria, o povo é educado mas não simpático e até os próprios paulistanos se perdem com tantas ruas e avenidas. Quem conhece São Paulo entende o porquê da resistência das mulheres que participam do
Vai dar namoro, quadro do programa

O Melhor do Brasil da Rede Record, em conhecerem pessoas de bairros diferentes. É um parto se locomover de um bairro pro outro, e em virtude do gasto emocional e principalmente financeiro, melhor é se relacionar com alguém do mesmo bairro, rua e melhor ainda prédio.

A cidade me dá a impressão de lugar habitado. De pessoas habitadas. O corre-corre, os bares cheios, os pagodes no domingo, os grafites espalhados pelos muros me dão a sensação urbana que eu tanto gosto. Eu adorei São Paulo e assim que puder, volterei novamente.

16 de dezembro de 2008

"Você precisa evoluir" - Será que preciso mesmo?

Discussões sobre crenças realmente me cansam. As pessoas que acreditam em algo ou alguém superior tem a bizarra idéia de que você que não possui crença alguma deva crer também. E se você for parar pra olhar com atenção, lá estão eles em todas as partes, todas as religiões. São eles, os hare krishna que decidiram parar de trabalhar para viver alimentando o espírito e que para isso precisam do dinheiro dos que trabalham para alimentar os filhos e a si. São eles, os crentes (evangélicos de um modo geral) que levam a ferro e fogo a história de evangelizar o máximo de gente possível - o estranho é os testemunhas de jeová acreditarem que só há 114 vagas no céu. São eles, os ateus, magoadinhos com Deus que se questionam fervorozamente que bondade é essa de um deus criador que permite tantas atrocidades no mundo. São eles, os umbandistas que já te olham dizendo que você tem um exú no corpo. Pelamor... Eu nunca vi uma pessoa religiosa que não fosse fanática ao ponto de tentar converter a outra pessoa à sua religião. Você deve estar pensando "quando as pessoas sentem ou possuem algo bom para si, querem também que o outro experimente esta situação". Não quando se trata de um fanático religioso. E as vezes, basta nem ser religioso, somente crer em algo inabaladamente. Esse fim de semana ouvi de alguém que eu precisava evoluir porque não acredito que dormir perto de um banheiro pode fazer você ter uma noite de sono satisfatória ou não.
Sinceramente, eu adoraria crer em alguma força superior. Adoraria poder dizer que fiz o que quis porque estava possuída. Adoraria pecar e pecar e pecar e rezar uns terços pra ficar tudo ok. Adoraria sentir a magia de ver um disco voador. Adoraria sentir o frio na espinha de falar com alguém que já morreu. Adoraria achar que um paraíso me espera. Mas o máximo que eu consigo é acreditar que sou responsável por tudo que faço, todas as minhas escolhas e motivações, que nada me espera no fim da vida, e que o único deus que existe é o nosso grandioso e precioso cérebro. O cérebro nosso de cada dia. No mais, o resto é balela.
Em se tratando de evolução, quem precisa mesmo evoluir é quem não admite um pensamento diferente do seu.

20 de novembro de 2008

Não tenho nada a ver com explosões - Martha Medeiros

EXPLOSÕES

NÃO TENHO NADA A VER COM EXPLOSÕES”, diz um verso de Sylvia Plath. Eu li como se tivesse sido
escrito por mim. Também não faço muito barulho, ainda que seja no silêncio que nos arrebentamos.

Tampouco tenho a ver com o espaço sideral, com galáxias ou mesmo com estrelas. Preciso estar firmemente pousada sobre algo — ou alguém. Abraços me seguram. E eu me agarro. Tenho medo
da falta de gravidade: solta demais me perco, não vôo senão em sonhos.

Não tenho nada a ver com o mato, com o meio da selva, com raízes que brotam do chão e me fazem tropeçar, cair com o rosto sobre folhas e gravetos feito uma fugitiva dos contos de fada, a saia
rasgando pelo caminho, a sensação de ser perseguida. Não tenho nada a ver com cipós, troncos,
ruídos que não sei de onde vêm e o que me dizem. Não me sinto à vontade onde o sol tem
dificuldade de entrar. Prefiro praia, campo aberto, horizonte, espaço pra correr em linha reta.
Ou para permanecer sem susto.

Não tenho nada a ver com boate, com o som alto impedindo a voz, com a sensualidade comprada
em shopping, com o ajuntamento que é pura distância, as horas mortas desgastando o rosto, a falsa alegria dos ausentes de si mesmos.

Não tenho nada a ver com o que é dos outros, sejam roupas, gostos, opiniões ou irmãos, não me
escalo para histórias que não são minhas, não me envolvo com o que não me envolve, não tomo emprestado nem me empresto. Se é caso sério eu me dôo, se é bobagem eu me abstenho, tenho
vida própria e suficiente pra lidar, sobra pouco de mim para intromissões no que me é ainda mais estranho do que eu mesma.

Não tenho nada a ver com cenas de comerciais de TV, sou um filme sueco, uma comédia britânica,
um erro de adaptação, um personagem que esquece a fala, nada possuo de floral ou carnaval, não aprendi a ser festiva, sou apenas fácil.

Não tenho nada a ver com igrejas, rezas e penitências, são raros os padres com firmeza no tom, é sempre uma fragilidade oral, um pedido de desculpas em nome de todos, frases que só parecem ter vogais, nosso sentimento de culpa recolhido como um dízimo. Nada tenho a ver com não gostar de
mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei.

Não tenho nada a ver com galáxia, mato, boate, a vida dos outros, os comerciais de TV e igrejas. Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto.

Minto, tenho tudo a ver com explosões.

19 de novembro de 2008

Luto de uma noite por Lorena Chaves do Ídolos- a Ló


Ló, e no meio de tanta gente eu vi você! Tô decepcionada de o Brasil ter desclassificado uma cantora incrível como a Lorena Chaves. Nesta noite de quarta-feira, ficaram na berlinda Paulo Cremona, Nanda e Lorena Chaves. Sinceramente a Nanda podia sair da disputa e voltar para os musicais da Disney. A minha conterrânea saiu de lá e não largou o personagem da Nala de O Rei Leão, e toda vez que eu vejo imagino a Nala pulando em cima do Simba e cantando aquela música de amor. A Ló não teve a plasticidade necessária para se adaptar a ritmos como o sertanejo e o samba. E acredito que também tenha pesado para sua saída o mesmo motivo que levou Cassia Raquel de volta para Caxias no Rio de Janeiro: auto-confiança que se converteu em arrogância. "Entregue flores com os olhos", como diz o Marco, jurado do programa, e nenhuma ingeriu a dica. O resultado não poderia ter sido diferente. O babaca do Rodrigo Faro jura que o fato de terem saído da disputa para ser o novo ídolo do Brasil se deve única e exclusivamente ao fato de os telespectadores não terem votado. Uma aulinha de zenbudismo para o ator/apresentador/cantor de leis da ação e reação. As meninas não teriam saído se tivessem cativado o público como os outros participantes.

Mas Ló, tô na sua torcida aqui e da parte desta humilde persona que vos escreve, você sim seria um ídolo!

No aguardo pelo seu sucesso, mineira!


O funk carioca da cantora singalesa nascida em Londres

Pode-se dizer que 9 entre 10 intelectuais desprezam e odeiam o miami bass, o famoso funk carioca. Desde pequena com acesso a MTV pude ver o funk ridicularizado, e exposto de uma forma onde todos condenavam as letras sem conteúdo, as rimas fracas, a erotização, os cantores, enfim, tudo que envolvesse o ritmo mais tocado na favela.
Mas algo mudou quando Mathangi Maya Arulpragasam, mais conhecida como M.I.A. e seu namorado, o DJ Diplo fizeram uma viagem ao incrível mundo suburbano do Rio de Janeiro e decidiram não só produzir diversos funks cariocas, mas também lançar o CD de M.I.A, intitulado Piracy Funds Terrorism. Engraçado como o brasileiro precisa de uma opinião de fora para dar valor ao que é produto nacional. Podemos observar este fenômeno hoje com o próprio samba, produto tipo exportação que muitos jovens que diziam não gostar e agora passam a gostar através de nomes como Maria Rita, Roberta Sá, Mart'nália. Voltando ao funk, pude observar a revolução cultural que M.I.A, nascida em Londres de família do Sri Lanka causou. Gravou a música Bucky Done Gun, com a base da música Injeção da Deise Tigrona e subiu ao palco do Tim Festival com a mesma em 2005. O funk passou a ter um espaço a mais na emissora, que até produziu um documentário sobre o ritmo.
O funk pode para muitas pessoas representar nada além de música sem conteúdo, ou para outros nem ser considerado "música". Porém, basta um olhar um pouquinho mais atento para compreender a diversidade músical, a plasticidade, a resiliência de uma população sofredora e que encontra seus próprios meios de diversão e subsistência, seus próprios medos de passar por cima das adversidades da vida, do medo de não saber se estará vivo amanhã e rir, se divertir e produzir seus próprios conteúdos. Você pode até dizer "-ahhh, os funks antigos é que eram bons, e não essa pouca vergonha que está aí". Meu caro, o tempo mudou, hoje o enf
oque dado não é o de antes, e o funk assim como o rock, o pagode e até a própria MPB tem seu próprio modo de se adaptar a essas mudanças. O mundo caminha de tal forma que lança tendências que também o acompanha. Este não é um caminho traçado sozinho. O funk é sim explícito, caso você seja pudico, dirija-se a igreja mais próxima e se converta. O funk é música sim, de um povo que se expressa de forma criativa e tem sua própria forma de produzir cultura. A sua própria cultura. Queira ou não, isso é Brasil, não só Brasil, mas também Brasil. Não gosta? Se mude pra Inglaterra. Se você repudia a música, o ritmo, ou a letra, dê ao menos o valor merecido de um povo extremamente forte. Admiro M.I.A por ter conseguido trazer este novo olhar ao funk carioca, e abaixo, o clip Buck Done Gun, vale a pena dar uma conferida.

http://www.youtube.com/watch?v=YVX0sVMGCAo